DOAÇÃO DE PRÓTESES FEITAS EM IMPRESSORA 3D

PROJETO DARA


PROJETO DARA PRÓTESE - LÚCIA MIYAKE

“DOAÇÃO DE PRÓTESES EM 3D”

Esta postagem relata a primeira reunião do projeto que tem como objetivo fabricar e doar próteses feitas em impressora 3D a crianças que precisam, realizada no dia 13/08/2015, em Curitiba. Nesta data, a prof. e pesquisadora Lúcia Miyake esteve em reunião com a Comissão de Acessibilidade do Lions Clube Curitiba Batel para apresentar o PROJETO DARA PRÓTESE, em início de implantação na Universidade PUC-PR.

A reunião foi filmada pelo companheiro João Carlos Cascaes e divulgada em seu Canal do Youtube e no blog:


Vamos conhecer o PROJETO DARA PRÓTESEde acordo com as explicações da prof. Lúcia Miyake (conforme vídeos ao final da postagem). 

Para iniciar, o vídeo da ONG americana e-Nable mostra como são estas próteses e de que forma podem ser utilizadas no dia a dia:




IDENTIFICAÇÃO

Segundo um levantamento feito pela pesquisadora Lúcia Miyake, há no estado do Paraná 21% de pessoas com deficiência física e desse percentual, 65,9% tem uma renda nominal de trabalho de até 2 salários mínimos. Desse modo, utilizam o atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde).

Mas, na parte de prótese, a Associação AOTEC - Associação de Ortopedia Técnica afirma que não consegue fornecer estas próteses por causa do custo, que é alto, e também pela alta demanda. Então, em termos das pessoas que precisam de prótese, o atendimento não chega a 0,3% de pedidos efetivados.
Isto quer dizer que faltam próteses, são atendidas poucas pessoas e, além disso, o SUS utiliza como processo para aquisição de compras a modalidade de licitação pregão eletrônico, através do qual o contrato de fornecimento é estabelecido pela proposta de menor preço, quanto menor o valor é que se ganha o processo, e sabe-se que normalmente preço baixo não traduz a melhor qualidade, uma vez que o menor custo não garante a melhor qualidade dos produtos adquiridos em um processo de pregão.

Além disso, as pessoas que recebem estas próteses nem sempre recebem um acompanhamento, um modo de uso, reabilitação, além de saber como utilizar esta prótese, se acostumar, falta ainda uma capacitação. Nesse contexto, 70% de quem recebe estas próteses disponibilizadas pelo SUS nem sempre consegue terminar o processo de reabilitação, então o que normalmente acontece é o abandono da prótese. Além de não conseguir atender, quando consegue não tem o devido acompanhamento.

Esta realidade justifica a necessidade do desenvolvimento deste Projeto.


SOBRE O PROJETO

O Projeto começou a ser desenhado pela pesquisadora Lúcia Miyake e foi crescendo, se ampliando.

Dados estatísticos mostram que entre 1 a 2% de crianças que nascem vivas apresentam alguma anomalia congênita. Deste percentual, 10% nasce com alguma deformação no membro superior, são poucos casos da parte congênita e normalmente esta deformação está ligada a alguma síndrome, ou seja, não se trata apenas de um braço, pode-se ter outras consequências também.

A maioria das pessoas que necessitam de próteses são casos de traumas, acidentes que levam a perder o membro superior, e em segundo lugar vem as doenças como causadoras de amputação (doença vascular, periférica, infecção crônica, lesões químicas, o Brasil é campeão em diabetes também, e ainda há os tumores malignos). Estas são as causas mais frequentes que levam as pessoas a passarem por uma amputação de membro.

Em sua pesquisa, a professora Lúcia Miyake constatou ainda que não adianta apenas colocar a prótese e entregar ao receptor. Há também a questão da reabilitação, assim como a parte do apoio, acompanhamento e a manutenção da prótese, pois se for para uma criança, sabe-se que ela vai crescendo e surge a necessidade de trocar ou fazer reajustes, e também conforme a sua atividade (uma criança menor, por exemplo não vai pegar uma caneta, mesmo com a mão não tem toda a coordenação motora fina, existe o acompanhamento da atividade em que ela está envolvida, como jogar bola, andar de bicicleta, etc). É preciso entender o que a criança pretende fazer. A questão não é apenas ver o membro que está faltando para esta criança, uma mão, por exemplo, e simplesmente imprimir a mão para a criança, isso apenas não satisfaz.

E no caso das mulheres grávidas, a pesquisadora Prof. Lúcia Miyake sentiu que as gestantes estão abandonadas, um abandono porque faltam informações, e se na hora diagnosticado, a recepção dessa criança e depois precisa ter um direcionamento, como receber o bebê de forma saudável e direcionar a família. Falta, assim, um acolhimento adequado para as gestantes.

Além disso, uma criança ou adulto que começam a utilizar uma prótese impressa em 3D precisam entender que não é porque receberam a prótese que vão conseguir fazer tudo, existe uma limitação também, há necessidade de informações aos profissionais que estão envolvidos, é preciso interagir.


O Projeto DARA foi dividido em algumas partes:

- PARTE 1 – ELABORAÇÃO DA PRÓTESE
- PARTE 2 – PÓS-ELABORAÇÃO (que é todo o acompanhamento).

Durante a parte de elaboração da prótese, há necessidade de conhecer o usuário que quer, depois disso há necessidade de ver que tipo de prótese ele vai usar. Por exemplo: a falta de dedo, a mão, o cotovelo, tudo isso é falta de membro superior, então se deve analisar. E quem faz esta análise e como poderia ser são profissionais de outras áreas.

Depois, é preciso parametrizar. A ONG americana e-NABLE realmente fornece os projetos, mas mostra só a estrutura que podemos utilizar. No Entanto, há necessidade de escolher qual é a prótese e colocar no tamanho coerente da pessoa, de acordo com o formato e tamanho específico do indivíduo. Nesse processo, há um estudo para escolher a prótese e depois fazer uma cópia. No caso da ONG e-NABLE, apenas se mede e parametriza, mas conversando com um engenheiro percebeu-se que isso é um pouco precário, pois se poderia escanear com um aparelho específico o membro do indivíduo, ou a mão inteira, para colocar as medidas exatas e mais coerentes, mais próximas da necessidade deles.

E depois existe a própria confecção, não é só imprimir em 3D, pois a impressora 3D só imprime as peças que compõe a prótese, há parafusos, fios de nylon, velcro, enfim, toda a montagem, não se trata apenas de imprimir.

Por fim, tem-se a montagem. A prof. Lúcia Miyake ressalta que há necessidade da capacitação daqueles profissionais que vão estar envolvidos nesse processo.

A prof. Leomar Marchesini questiona sobre o material usado na impressão: trata-se de um plástico, são filamentos que vem em formatos de rolos, entram na impressora, são derretidos e a impressora 3D vai desenhando o formato das peças. Assim, a impressora imprime as peças que vão fazer parte da prótese.

João Carlos Cascaes comenta que o projetista deveria ter apoio para visitar os centros de pesquisa nessa área, via youtube sabe-se onde estão, mas é preciso estabelecer um contato direto, pois os voluntários que fizerem parte deste projeto vão se dedicar durante décadas talvez; vão começar agora mas não tem como parar, uma vez que há necessidade de inovar, de criar outras tecnologias mais avançadas.
A pesquisadora Lúcia Miyake esclarece ainda que as próteses em 3D podem ser comparadas aos óculos: os óculos têm a lente, a parte do aço e armação. A impressora 3D faria a parte que vai segurar a lente, nada mais. A armação deve ser adequada ao rosto da pessoa, firmar de forma correta, e da mesma forma acontece com a prótese, que deve ser proporcional ao usuário.

João Carlos Cascaes explica que os Estados Unidos vêm investindo muito nesta área por causa da guerra no Oriente Médio, pois receberam cerca de 1 milhão de ex-soldados com algum tipo de deficiência por causa da guerra, e a mutilação é uma das coisas mais comuns em combate. No Brasil, o principal fator é o acidente de carro. Sr. Toshira comenta que o percentual de mortes por acidentes de carro é em torno de 50 mil jovens por ano, e são muitos os que perdem algum membro vítimas de acidente.

Segundo João Carlos Cascaes, o Lions Internacional, por exemplo, tem clubes em cidades em todo o mundo, assim pode ajudar muito, porque um pesquisador indo para os EUA vai encontrar pessoas que vão apóia-lo de alguma forma, até mesmo a UNINTER, que também é uma instituição a nível internacional, pode ter interesse em ajudar.

Como esclarece a pesquisadora Lúcia Miyake, não é com um projeto em um curto tempo, 3 meses, por exemplo, vai estar tudo resolvido. Trata-se de um projeto permanente, uma caminhada, como diz a prof. Leomar Marchesini.

Portanto, a primeira parte do Projeto seria a de elaboração da prótese.


PARTE 2 – PÓS ELABORAÇÃO

A segunda parte do projeto consiste na pós elaboração, há vários fatores para o acompanhamento e o uso da prótese.

Para isto, foram incluídos outros projetos.

- PROJETO COMPLEMENTAR: Capacitar pessoas para poderem fazer isso, ser profissionais, há por exemplo um curso para mexer com o ambiente virtual, para aprender a tirar as medidas de um usuário de prótese e saber utilizar o programa. Trata-se da capacitação operacional.

PROJETO EXTENSÃO DE CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL: Outra parte é a extensão da capacitação profissional. Esta parte caberia ao pessoal da educação, psicólogas, terapeutas, para como lidar com as pessoas que usariam estas próteses, com maior destaque aos pais, que são muito importantes neste processo. Percebe-se que os pais não têm todo o apoio, acolhimento, há necessidade de estender as informações sobre como utilizar as próteses.

Nesta parte entrariam eventos, a promoção de eventos, a participação de instituições e divulgação, há necessidade de um trabalho de grande importância sobre a divulgação.

A outra parte é prevenção, a preparação, na qual entrariam médicos como o Dr. Rui Piloto, para fazer os exames nas gestantes, diagnosticar o quanto antes a presença de uma má formação congênita ou síndrome da brida amniótica, para a mãe estar preparada, levar até a população e dar acesso a estes tipos de exames específicos.

Por outro lado, tem-se também a busca de melhorias e inovações, como envolve a Universidade, pode-se buscar outras alternativas de próteses e tentar até com recursos eletrônicos, sensores.

Por último, a parte de divulgação e também publicação, há necessidade de fazer um livrinho com estas informações, material impresso ou na forma de e-book virtual. Isso é importante para a veiculação de informações e distribuição.

Há necessidade da equipe envolvida divulgar este trabalho, por meio da participação em congressos e seminários.

Por fim, a busca de parcerias, que deve ser constante, pois não se trata apenas da elaboração da prótese, existem outros subprodutos, para o projeto não parar, desdobra-se em diversos setores e especialidades diferentes.

João Carlos Cascaes coloca também que este projeto pode implicar na importação de equipamentos, viagens ao exterior, participação em seminários, é preciso manter uma dinâmica de evolução do profissional envolvido, para que ele não fique limitado a descobrir informações apenas à distância, ou virtualmente.


EQUIPE INICIAL

A formação da equipe inicial conta com João Carlos Cascaes, principalmente na parte de divulgação, de buscar novas parcerias e poder trazer outros parceiros. O orientador Prof. Oziris Canciglieri, coordenador do Programa de Pós Graduação em Engenharia PUC-PR, que acolheu a ideia da sua orientanda Lúcia Miyake; com ele é possível trazer outros professores. Por exemplo, há necessidade de 2 estagiários, para atender o usuário, na área de terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, psicólogo, e um outro estagiário na área da engenharia ou parte da informática. Existem também muitas pessoas que estão querendo fazer mestrado e doutorado, então tem a possibilidade de trabalhar com outros pesquisadores para buscar novas tecnologias e outras alternativas.

É importante destacar na equipe os seguintes nomes: da PUC-PR, prof. Osiris Canciglieri, que estendeu a mão dando todo apoio para realizar o projeto, e juntamente estão outros professores e engenheiros. Será com ele que estaremos levantando os recursos de equipamento, materiais e outros. Temos também a professora Leomar Marckezini (psicóloga e coordenadora do Siane do grupo Uninter), o Paulo Ross (professor na área de Educação Especial da UFPR) e Irajá (área de reabilitação do hospital Ana Carolina Moura Xavier). 

A Prof. Leomar Marckezini está na parte da extensão e capacitação multiprofissional, uso e entorno (familiares, colegas, professores), sugere-se criar uma parte na educação especial e a parte informacional, para informar as pessoas que estão junto; um curso de capacitação.

Sr. Toshiro sugere também a criação de um curso tendo em vista o grande contingente de pessoas com deficiência que serão futuramente idosos, então se questiona: quem vai cuidar desses idosos deficientes? Não há número suficiente de profissionais capacitados, com desempenho eficaz e específico, que entendem o idoso e sua realidade.

Precisa-se também de voluntários. Trazer as pessoas para o projeto, divulgar e mobilizar novos voluntários.

Lúcia Miyake destaca a necessidade de formar os grupos de trabalho e definir o número de pessoas necessárias para cada.


SOBRE O NOME DO PROJETO

O primeiro contato para proposta do trabalho com próteses 3D foi feito pela mãe de Dara, (Geane Poteriko, professora). Dara é uma bebê que nasceu com agenesia de mão. Assim, o projeto foi denominado inicialmente como PROJETO DARA. Após esta reunião, concordou-se em denominá-lo como “PROJETO DARA PRÓTESE”.

ORÇAMENTO DO PROJETO

A parte de equipamentos e recursos do projeto ainda está sendo elaborada, pois estão sendo levantados os valores específicos.


OUTRAS QUESTÕES DISCUTIDAS NA REUNIÃO

João Carlos Cascaes comenta que no Brasil, estamos em uma guerra constante no trânsito, então há uma produção maciça anualmente de pessoas com deficiência, isso significa que um projeto desses interessa ao INSS ao Governo porque reabilita as pessoas. É necessário criar no Brasil pólos de qualidade dedicados a essa questão.

Sr. Toshiro comenta que, embora estas pessoas tenham sofrido algum tipo de acidente, é preciso devolver estas pessoas para a sociedade como pessoas produtivas, mesmo porque a tendência do Brasil é o envelhecimento, o número de filhos está cada vez menor, significa que no futuro só os velhos que vão trabalhar devido ao número menor de jovens.
Lúcia Miyake comenta sobre os novos profissionais que são formados, que há necessidade de contatos. Por que este Projeto na Universidade? Porque é um ambiente em contato diretor com estudantes, e os novos profissionais precisam ter acesso a este tipo de Projeto e de experiência. Além disso, pode-se fazer a integração entre várias universidades.

O segredo é juntar, somar forças. Se não houver a integração das áreas, dos profissionais, o projeto pode fracassar.


E a prótese de Dara, a inspiradora do Projeto?
 Bem, Dara precisa ter no mínimo 3 anos para estar habilitada a usar esse tipo de prótese feita em impressora 3D. Hoje, ela é uma bebê com 1 ano de 8 meses, ainda não tem idade suficiente, mas desde já a mãe está correndo atrás de recursos, e como a mãe sabe ao fundo o que está passando, poderia compartilhar com outras mães essas informações, pois uma pessoa com experiência tem muito mais condições do que uma pessoa que não conhece de perto o mesmo tipo de situação.

Cascaes comenta que a mãe de Dara venceu uma coisa muito importante, que é o preconceito, pois ela posta no Facebook fotos de Dara mostrando seu bracinho, e isso para qualquer pai costuma ser algo doloroso, Cascaes e a esposa já passaram por isso com um de seus filhos, então superar este tipo de preconceito de mãe já é algo importante.

Esta reunião foi uma apresentação do PROJETO DARA PRÓTESE, que foi aprovado pela PUC-PR e conta com o apoio do Lions Clube Curitiba Batel.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Agência Câmara Notícias. Comissão discute custo de órteses e próteses para o SUS e planos de saúde. Câmara Notícias: Portal da Câmara dos Deputados, 17 Dez. 2013. Disponível em <http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/SAUDE/456016-COMISSAO-DISCUTE-CUSTO-DE-ORTESES-E-PROTESES-PARA-O-SUS-E-PLANOS-DE-SAUDE>. Acessado em 05 Ago. 2015.

BRASIL. Cartilha do Censo 2010: Pessoas com Deficiência.  Brasília : SDH-PR/SNPD, 2012.

FRANCA BISNETO, Edgard Novaes. Deformidades congênitas dos membros superiores: parte I: falhas de formação. Rev. bras. ortop. 2012, vol.47, n.5, pp. 545-552. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0102-36162012000500002. Acessado em 08 Ago. 2015.

OKUMURA, M.L.M.; CANCIGLIERI JUNIOR. Engenharia Simultânea e Desenvolvimento Integrado de Produto Inclusivo: Processo de Desenvolvimento Integrado de Produtos orientados para Tecnologia Assistiva – proposta de Framework Conceitual. Saarbrücken, (Germany): OmniScriptum GmbH & Co. KG (NEA), 2014.

OTTOBOK. Terminologia técnica para o membro superior. Disponível em <http://www.ottobock.com.br/prosthetics/informa%C3%A7%C3%A3o-para-amputados/termos-t%C3%A9cnicos/termos-t%C3%A9cnicos-para-membros-superiores>. Acessado em 05 Ago. 2015.



VÍDEOS:

 

GRAVAÇÃO DA REUNIÃO


A proposta da CaL Lúcia Miyake

Publicado em 13 de ago de 2015


Custos e qualidade -

Capacitação da PcD que recebe a prótese 

https://www.youtube.com/watch?v=HXTPG7_wG-s


Publicado em 13 de ago de 2015


Lúcia Miyake explicando seu projeto 

Publicado em 13 de ago de 2015


Impressora Digital, próteses e

Lúcia Miyake 

Publicado em 13 de ago de 2015


Pesquisa e Desenvolvimento - Próteses

Projeto Dara 

Publicado em 13 de ago de 2015


Parceiros

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DAR A MÃO: Vídeo do Projeto

Agenesia de mão: Dara

Agenesia de mão: Dara
Mãos de Dara (Síndrome da Brida Amniótica)

Dara

Dara
Inspiradora da ASSOCIAÇÃO DAR A MÃO

JORNAL DAR A MÃO

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Notícias, histórias e informações no Jornal Online da ASSOCIAÇÃO DAR A MÃO