Palestra - Desenhando a igualdade

PALESTRA PARA CRIANÇAS - Associação Dar a Mão promove palestra a estudantes com o objetivo de sensibilizá-los sobre a malformação de membros

Reportagem da Folha de Londrina sobre a palestra e lançamento da quarta edição do Concurso de Desenho sobre Igualdade nas Diferenças da Associação Dar a Mão. 17/05/2018

"Sempre olham para uma pessoa com deficiência enxergando a limitação; a ideia é mostrar que consigo fazer quase tudo sozinha", afirma Daniele Amaral, que perdeu os dois braços na infância.



São muitas perguntas: "como você faz para escovar os dentes?", "você consegue escrever?", "e para tirar a roupa?", "ela consegue segurar um copo?". A curiosidade das crianças que conheceram Daniele Amaral, 25, na manhã de quinta-feira (17), foi um caminho aberto para ela falar sobre deficiência física. Ela é formada em Contabilidade e voluntária na Associação Dar a Mão, que há dois anos e meio atua como uma rede de apoio a pais, familiares, crianças e adolescentes afetados pela Síndrome da Brida (ou Banda) Amniótica ou outras condições congênitas e doenças raras que causam malformação de membros. Atualmente, são cerca de 600 associados em todo o Brasil e países da Europa.

Este não é o caso de Amaral, que perdeu os dois braços em um acidente com um maquinário agrícola quando tinha quatro anos de idade, mas sua história ajuda a sensibilizar o público. "Viajamos 70 quilômetros até um hospital em Londrina e perdi muito sangue. Os médicos disseram que foi um milagre eu ter sobrevivido, mas eu encaro como um propósito de Deus. Sei que posso tocar as pessoas de alguma forma com a minha história", conta.

Amaral mora em Arapuã (Vale do Ivaí) e veio a Londrina conversar com 80 alunos do ensino fundamental I, do Colégio Ética.

 "Nenhuma criança nasce preconceituosa e quando ela cresce aprendendo que são as diferenças que nos tornam únicos e especiais, elas desenvolvem um visão de mundo onde o diferente é normal", diz.

Sob olhares surpresos, Amaral mostrou para as crianças algumas tarefas diárias que realiza com a ajuda dos pés, entre elas, escrever. "Sempre olham para uma pessoa com deficiência enxergando a limitação, a incapacidade. A ideia é justamente mostrar que consigo fazer quase tudo sozinha. Inclusive agora estou aprendendo a dirigir", comenta.

Além de sensibilizar as crianças para as questões de agenesia (ausência) de membros, a presença de Amaral marcou o lançamento do 4º Concurso Nacional de Desenho, promovido pela Associação Dar a Mão. Estudantes de todo o País podem participar com desenhos que remetam ao tema "igualdade nas diferenças".

A intenção é trabalhar, ainda na infância, a aceitação e o respeito para prevenir e evitar o preconceito. Os dez desenhos finalistas serão premiados e o ganhador terá sua "criação" estampada na camiseta oficial da associação durante 12 meses. A votação ocorrerá até o final do ano, através do site e da página no Facebook da entidade.


SÍNDROME
A Síndrome da Brida Amniótica ocorre durante a formação dos bebês na barriga da mãe. Uma parte do saco amniótico se rompe e uma banda fibrosa se forma ao redor de alguma extremidade do feto, impedindo seu completo desenvolvimento. Estima-se que a síndrome afeta 1 a cada 1.500 crianças nascidas em todo o mundo.

'Isso é bonito e deve ser respeitado'

O presidente Michel Temer acaba de alterar o art. 12 da Lei 9.394 de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. A partir do dia 14 de maio, o artigo passou a vigorar com o acréscimo dos incisos IV e X, de "promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying), no âmbito das escolas;" e "estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz nas escolas."

No Colégio Ética, de Londrina, um trabalho mais intenso de combate ao bullying e respeito às diferenças vem sendo aplicado desde 2017 nas turmas do ensino fundamental 1 e 2. E uma das ações envolve a palestra na qual Daniele Amaral ministrou na manhã de quinta-feira (17). "Eu não busco ser um exemplo, mas posso ajudar as crianças a entenderem que cada um carrega dentro de si o poder para conquistarem o que quiserem", ressalta.

Amaral revela que não sofreu muito preconceito na infância, ao contrário da vida adulta. "Especialmente no mercado de trabalho. Por isso que o trabalho de conscientização e acolhimento é muito importante na infância, pois é preciso compreender desde muito cedo que o diferente na verdade é o normal e que isso é bonito e deve ser respeitado", completa.


Apoio e sensibilização sobre as diferenças

Quando Daniele Amaral perdeu os dois braços, seus pais não conheciam ninguém que os poderia ajudar na adaptação dessa nova rotina familiar. "A gente pensava muito no preconceito e isolamento que ela poderia sofrer na escola, assim como na dependência que ela teria para fazer coisas simples do dia a dia", comenta a mãe Maria dos Reis Melo Ferreira.

Mas a família foi surpreendida pela determinação de Amaral em buscar adaptações para os afazeres, ainda criança. "Ela sempre buscou fazer o melhor e sempre se destacou nos estudos", conta a mãe, orgulhosa.

Hoje, as famílias que estão passando por esse processo de adaptação já contam com a Associação Dar a Mão. A entidade sem fins lucrativos surgiu em São João do Ivaí (Vale do Ivaí) e se propõe a disseminar informações e promover conscientização e sensibilização sobre as diferenças de membros.

A entidade também viabiliza a impressão, montagem e doação de dispositivos de apoio protéticos feitos em impressora 3D, incluindo o acompanhamento e suporte no processo de adaptação ao uso do dispositivo e reabilitação.

A advogada Ticiana Fuganti é coordenadora de projetos da associação e conta que a atuação da entidade foi essencial no processo de aceitação dessa condição da filha Rebecca, de 1 ano e dois meses. "A Rebecca não tem a mão esquerda, mas essa é somente uma das características dela. Através da minha filha podemos ajudar outras famílias porque ela inspira amor e agimos com total naturalidade, o que reflete muitas vezes na atitude das outras pessoas também", afirma ela, que esteve na escola com o marido Renné.

A londrinense Gisele Lourenço Fadel lembra que foi um impacto saber da síndrome durante a gestação. "Comecei um processo de aceitação até o nascimento e hoje sou eu que aprendo com ela porque é uma criança com autonomia e que se adapta facilmente", diz a mãe da pequena Milena, 4. A dona de casa conheceu a entidade há poucos meses e está ajudando a divulgar as ações. "É bom saber que não estamos sozinhas, conhecer outros casos", diz.


Referência:
https://www.folhadelondrina.com.br/cidades/desenhando-a-igualdade-1006910.html

VÍDEO SOBRE IV CONCURSO DE DESENHO:


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Agenesia de mão: Dara

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